quarta-feira, Junho 28, 2006

POEMAS DE ALUNOS

A POESIA

A poesia para mim é um sonho
ou um pesadelo
vivido acordado ou a dormir.
É a tristeza e a agonia
de viver ou de morrer.
É o sentimento e a imaginação.
A poesia é uma brincadeira com as palavras,
é a amizade e o amor.
A poesia é a vida.

A poesia é tudo para um poeta,
é o sentimento profundo das coisas que o envolvem,
é a alegria e a tristeza,
é o pensamento e as palavras,
é o sonho acordado para a vida,
é a luz que ilumina o pensamento,
é brincar com as palavras,
é a amizade e o amor à poesia.

Poemas de Aida Lima e Miriam Guerreiro do 8ºB


A poesia é um mundo imaginário,
cheio de cores e de alegria,
que nos dá uma outra forma
de viver as coisas e de as ter na vida.

A poesia também pode ser bem real,
triste ou feliz, mas isso só depende
da pessoa que a escreve
ou da pessoa que a diz.

Poesia é um planeta escondido
nos nossos corações, só se abre
de vez em quando para mostrar
o nosso lado como humanos.

Poema de Daniela Moreira do 8º B

sábado, Junho 17, 2006

AMIZADE

Foto de Anne Gedes



Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

"Amigo" é um sorriso
De boca em boca
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

"Amigo" (recordam-se vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!
"Amigo" é o erro corrigido
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

"Amigo" é a solidão derrotada!
"Amigo" é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, Abandono Vigiado

segunda-feira, Junho 12, 2006

DESIGUALDADE SOCIAL

Foto de Sebastião Salgado

O Pouco ou o Muito

O pouco ou o muito a diferença é pouca.
Todos temos pouco e só há quem tenha
além do pouco muito.

São poucos esses e a pouco e pouco
inexoravelmente são mais poucos
ante os muitos muitos.

E a diferença sendo pouca é muita.
Todos temos pouco muito então
além do muito pouco.

Jorge de Sena, Visão Perpétua, Edições 70

quinta-feira, Maio 25, 2006

A FAVOR OU CONTRA

A FAVOR OU CONTRA a despenalização do consumo de drogas leves em Portugal?


Esta foi uma das questões colocadas aos alunos do 8º B da Escola B 2,3 da Pontinha (Gonçalves Crespo) que participaram no "Entre/Palavras" - 2º fórum de leitura e debate de ideia proporcionado pelo Jornal de Notícias.
O resultado da pesquisa e debate desenvolvido pelos estudantes, que foi seleccionado para ser apresentado nos campeonatos distritais de Lisboa do "Entre/Palavras", no dia 10 de Maio, publica-se aqui. Uma divulgação online que permitirá dar continuidade ao trabalho de reflexão e de troca de ideias desenvolvido pelos alunos envolvidos.



TOXICODEPENDÊNCIA

Introdução

Escolhemos este tema porque aborda um assunto muito importante para os adolescentes e para a sociedade em geral. Os problemas resultantes da toxicodependência são preocupantes e como somos jovens e gostamos de aprender resolvemos, por isso, aprofundar este tema.

Gostaríamos que estes problemas fossem solucionados porque em Portugal têm aumentado os casos relacionados com a droga e outras dependências como o tabaco e o álcool que acabam quase sempre de forma trágica.

Escolher este tema permitiu-nos pensar nos riscos que correríamos se consumíssemos estes produtos.

Queremos dar a nossa opinião porque pensamos que isso ajudará a tirar mais conclusões sobre o porquê de se enveredar por esses caminhos.

Argumentos “pró” a despenalização do consumo da droga:

A livre circulação de estupefacientes levaria a uma descida no preço destes produtos o que acabaria com o tráfico existente.

Seria o Estado a adquirir as drogas para as vender em locais próprios para o efeito. Assim o lucro seria para o Estado e não para o traficante que deixaria de existir.

A legalização do consumo de drogas nunca seria levada a cabo sem antes dar origem a um debate nacional que exploraria o assunto em todas as suas vertentes, transmitindo vasta informação que acabaria por chegar a todas as camadas da população.

Toda esta informação funcionaria como um modo de prevenção alertando para os comportamentos de risco e permitindo um conhecimento aprofundado dos efeitos nefastos dos vários tipos de drogas o que, por sua vez, reduziria certamente o seu consumo, o que seria muito positivo.

A redução do número de dependentes evitaria e diminuiria os gastos efectuados, por parte do Estado, nos tratamentos de desintoxicação e na reinserção social que, infelizmente, falha com muita frequência.

Toda a sociedade beneficiaria com a redução da criminalidade que resulta da toxicodependência e com a redução dos problemas criados por esta no seio familiar, melhorando as relações humanas e evitando, também, os gastos no apoio necessário aos familiares que sofrem, inevitavelmente, um grande desgaste psicológico ao lidarem durante anos com problemas que não conseguem solucionar.

A despenalização do consumo de drogas permitiria também a sua utilização na área da saúde, especialmente, no alívio das dores provocadas por determinadas doenças, evitando assim um sofrimento desnecessário aos seus portadores.

A saúde beneficiaria, ainda, com a redução dos gastos com os tratamentos das doenças que proliferam devido aos comportamentos de risco existentes, por exemplo, SIDA e Hepatite.

A legalização do consumo de drogas poderia evitar que muitos jovens enveredassem pelo caminho da toxicodependência pois estes sentem-se, muitas vezes, atraídos pelo que é proibido e tentados a transgredir “num medir forças” com os adultos, o que deixaria de fazer sentido.

Seria também evitado o tráfico de droga levado a cabo pelos jovens que, na perspectiva de um lucro fácil, são aliciados por traficantes cujo grande objectivo é penetrar nos meios, nomeadamente nas escolas, onde não se podem movimentar livremente.

O simples consumidor de drogas deixaria de ser tratado como um criminoso e passaria a ser tratado como um doente que, como tal, necessita de tratamento.

Ser pela despenalização do consumo de drogas não significa que se defenda a sua utilização. Não se deve, de forma nenhuma, confundir a sua defesa com o aconselhamento ao seu consumo.

Argumentos “contra” a despenalização do consumo da droga:

Qualquer tipo de produto que cria dependência como, por exemplo, o álcool, o tabaco e os fármacos nunca deveria ser vendido a menores de 18 anos porque ainda não têm maturidade suficiente para entenderem os seus malefícios. Por isso, a livre circulação de estupefacientes seria prejudicial para toda a sociedade, pois poderia aumentar o número de toxicodependentes existentes, principalmente nas camadas mais jovens que, muitas vezes, tentam desafiar o perigo sem terem consciência dos seus efeitos trágicos.

O mais importante é ajudar os Organismos de Reabilitação com ajuda financeira de forma a que possam actuar no campo da prevenção, da prestação de cuidados médicos e da reabilitação da toxicodependência resultante de drogas diversas tais como heroína, cocaína, canabis, crack, extasy, fármacos, bem como de qualquer outra forma de dependência química ou emocional.

A legalização da droga não impediria o tráfico de “drogas duras” porque o consumo destas nunca seria despenalizado pois só seriam legais as “drogas leves” e assim os traficantes continuariam a existir.

O Governo nunca debateu verdadeiramente este assunto como sendo para resolver mas sim como resolvido.

Os adolescentes não devem consumir nenhum tipo de droga ou produto que cause dependência porque o seu organismo não está totalmente desenvolvido e o consumo de qualquer uma destas substâncias pode perturbar, em muito, o seu desenvolvimento.

Aqueles “amigos” que só permitem que um jovem entre no seu grupo fumando ou consumindo droga não são verdadeiros amigos, pois a única coisa que pretendem, muitas vezes, é ganhar lucro com a ingenuidade e inocência dos outros, prejudicando-se a si mesmo, aos outros e, na maioria dos casos, também às suas famílias. Em quase todas as situações, os jovens até têm consciência do mal que a droga, o tabaco ou o álcool fazem e dos problemas que arrastam consigo, mas acham que conseguem deixar o “vício” a qualquer altura, quando quiserem não se apercebendo que isto não corresponde à realidade.

Conclusão

Consideramos que a transformação da sociedade de forma a tornar-se eficiente na solução dos seus problemas é imprescindível.

A favor ou contra, a decisão deverá ser sempre tomada baseada na informação e na responsabilidade, sabendo quais poderão ser as consequências.

Acreditamos que a informação e o conhecimento são essenciais para o exercício da cidadania.